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Auxiliar da Semana: Lição 08 – Paternidade e Maternidade – 18 a 25 de Maio 2019

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ESBOÇO

Nos tempos da Bíblia, era muito importante ter filhos. Mães imploraram a Deus (ou a seus maridos) que lhes dessem um filho. Deus às vezes agia miraculosamente para responder ao pedido (pense em Ana chorando no tabernáculo ou Raquel pensando na morte como uma alternativa à esterilidade). Hoje, a questão de ter filhos envolve uma série de fatores, como infertilidade, método contraceptivo, aborto, adoção, o fato de ser pai ou mãe solteiros e métodos de disciplina. Seja qual for o fardo que se carrega em relação a filhos, é imprescindível lembrar que Deus Se preocupa com a situação de cada família. Essa é a parte fácil. Estender esse mesmo cuidado a si mesmo ou àqueles que estão fazendo escolhas impróprias em relação a seus filhos é a parte difícil.

Educar filhos pode ser considerado uma ramificação do discipulado. Embora as Escrituras ofereçam orientações preciosas para os pais (2Co 12:14; Ef 6:4; Cl 3:21), a maioria das famílias destacadas na Bíblia apresenta muitos exemplos do que não fazer na formação dos filhos, ou seja, favoritismo, negligência da disciplina, vida sem o temor de Deus, etc. Se pudermos aprender com seus erros e com os nossos próprios, os filhos, cada um deles, será uma estrela na coroa celestial de seus pais. No entanto, na esperança de que nossos filhos sejam salvos, Provérbios 22:6 tem sido invocado de uma forma que não se harmoniza bem com o livre-arbítrio e com a metanarrativa (grande narrativa) do grande conflito entre o bem e o mal. Espera-se que um breve estudo sobre esse famoso texto traga alguma clareza e nos apresente algumas outras opções interpretativas.

COMENTÁRIO

Escrituras

O texto de Provérbios 22:6 é raro e contém a quantidade certa de ambiguidade de interpretação e significado teológico para produzir esperança existencial ou trauma psicológico – ou ambos. É um pedacinho exegeticamente substancial da literatura de sabedoria do Antigo Testamento cujas potenciais traduções para o português poderiam ser virtualmente opostas entre si. Provérbios 22:6 fez parte da lista intitulada “My Favorite Mistranslations” [Meus Erros de Tradução Favoritos], de Douglas Stuart, em suas palestras no W. H. Griffith Thomas Memorial Lectureship (Série de palestras anuais no Seminário Teológico de Dallas), em fevereiro de 2013. Estudar esse verso pode servir para descobrir o valor do estudo bíblico mais profundo. O fato de que esse verso é sem dúvida o versículo mais conhecido ou citado sobre a educação de filhos no Antigo Testamento, o torna digno de análise.

 

A tradução padrão

O que estou chamando de tradução padrão é aquela seguida por quase todas as traduções para o português (e várias traduções para o alemão e o francês), que seguem bem de perto a versão Almeida Revista e Atualizada: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22:6).

Em primeiro lugar, a lição apresenta um ponto crucial que merece ser repetido. Não importa como esse texto seja traduzido, ele não significa que toda criança desobediente seja resultado direto de má educação por parte dos pais. Então, vamos descartar essa hipótese. Sempre deve-se levar em conta o gênero literário do texto, e esse se enquadra em uma antologia de sabedoria cheia de provérbios e ditados incisivos (suscintos, fortes e significativos). Um provérbio não seria um provérbio se incluísse uma lista de qualificações, exceções e exclusões. Assim, esse verso deve ser considerado um princípio geral de como as experiências nos primeiros anos podem ter consequências em longo prazo.

Os que preferem a tradução padrão tiveram que defender a frase “no caminho em que deve andar” porque o hebraico apenas lê “de acordo com o seu caminho”. Os tradutores, no entanto, fundamentando-se no tema geral de Provérbios, ficaram convencidos, pelo contexto, de que o “caminho” nesse caso era o caminho dos sábios e dos justos que Salomão e seus amigos defendiam, e assim acrescentaram “deve” para preservar esse sentido. Um ponto negativo sobre essa tradução vem daqueles que entendem que a expressão “seu caminho” se refira a um indivíduo descobrindo suas propensões vocacionais e sendo encorajado a seguir nessa direção. Essa visão é a orientação que o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia toma sobre esse verso ao observar que a “ocupação da vida deve estar em harmonia com a inclinação natural” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 3, p. 1.020). No entanto, alguns acreditam que essa visão impõe ao texto uma perspectiva psicológica ultrapassada e que não se encaixa com os temas de Provérbios.

A tradução minoritária

Outra tradução também discorda do modificador “deve” na frase “o caminho em que deve andar” e acredita que o hebraico deve ser considerado como “de acordo com o seu caminho”. Doug Stuart e outros também têm dificuldades com o hebraico na’ar, traduzido como “criança” na versão padrão, e optam por “um jovem não casado” (As palestras completas de Doug Stuart’s, em inglês, da série Griffith, em 2013, intituladas “My Favorite Mistranslations” [Meus Erros de Tradução Favoritos]. Disponível em: ). À luz desse entendimento, o verso passa a envolver nossos adolescentes, em lugar de nossas crianças. Stuart propõe a tradução: “Instrua um adolescente no seu próprio caminho, e quando estiver velho, não se desviará dele”.

O texto agora é entendido como uma promessa, não no sentido de que a boa educação garanta bons resultados, mas de que a educação relapsa terá resultados prejudiciais no longo prazo. Stuart cita a tradução do filósofo judeu medieval Ralbag (sigla para Rabino Levi ben Gershon): “Ensina uma criança de acordo com suas más inclinações, e ela continuará no seu mau caminho por toda a vida”.

Então, por que esse ângulo de tradução não tem uma representação mais ampla nas versões modernas? É provável que haja certa inércia de interpretação criada a partir de uma tradução popular e antiga, à qual as versões subsequentes geralmente têm dificuldade em resistir. Gordon Hugenberger apresenta uma teoria sobre o possível equívoco inicial: “É provável que os primeiros tradutores tenham omitido esse entendimento do texto como uma advertência, não por causa de qualquer dificuldade no hebraico, mas porque ele constrói a primeira frase como uma ordem irônica. Essa ordem diz ao leitor para fazer algo que ele não deveria fazer: ‘Ensinar uma criança de acordo com o seu caminho’. Na verdade, tal instrumento retórico é inteiramente compatível com a literatura de sabedoria, como Provérbios, que usa o sarcasmo com bons resultados. Compare Provérbios 19:27, ‘Pare de ouvir a instrução, meu filho, e você se afastará das palavras de conhecimento”’ (Gary D. Practico and Miles V. Van Pelt, Basics of Biblical Hebrew Grammar [Noções Básicas de Gramática Hebraica Bíblica], Grand Rapids: Zondervan, 2007, p. 163).

Uma interpretação de 1.000 anos…

A seguinte “tradução” é mais uma interpretação histórica do que uma tradução. Mas há suficientes evidências relacionadas para torná-la uma possibilidade fascinante.

O Códice de Leningrado, que é o mais antigo manuscrito completo da Bíblia hebraica, apresenta notas nas margens. Essas notas foram escritas pelos massoretas, um grupo de escribas e eruditos judeus que, entre os anos 600 e 1000 a.C., criaram sinais diacríticos em torno do texto hebraico consonantal na tentativa de padronizar a pronúncia. Em outras palavras, eles acrescentaram um sistema de vogais ao texto para que a comunidade judaica não se esquecesse de como pronunciar seu texto hebraico. Eles também escreveram notas técnicas e linguísticas nas margens. São essas notas que potencialmente nos dão uma janela de mil anos de idade e que mostram como eles compreendiam Provérbios 22:6.

O entendimento massorético de Provérbios 22:6 remonta até Enoque e como se escreve o seu nome. Existem duas formas de escrever o nome de Enoque em hebraico. Os massoretas anotaram a ortografia variante em suas margens. Geralmente o nome de Enoque contém o que é chamado de holem waw (o holem waw dá o som de “o” no nome de Enoque). Mas há três casos em que é escrito “incorretamente” e contém apenas o holem (que ainda dá o mesmo som de “o”).

Tendo em mente que há mais de um Enoque, notamos que a primeira ocorrência da escrita com uma falha no nome Enoque no manuscrito massorético está em Gênesis 25:4. Os massoretas anotaram em sua margem sobre esse verso que os três textos contendo esse uso defeituoso foram Gênesis 25:4, Números 26:5 (este caso é um pouco diferente porque são os “Anoquitas”, ou, poderíamos dizer, a família de Enoque ou “Enoquitas” que possuem o uso defeituoso), e Provérbios 22:6. Em outras palavras, os massoretas veem o nome de Enoque com sua ortografia alternativa em Provérbios 22:6.

Mas espere: o nome de Enoque não aparece em Provérbios 22:6, ou aparece? Acontece que a forma verbal de “ensinar” em Provérbios 22:6 é escrita exatamente da mesma forma que a ortografia defeituosa do nome de Enoque. (Uma nota àqueles que estão familiarizados com o hebraico: é verdade que os massoretas poderiam estar comentando sobre o Qal, a forma imperativa de chanak, mas de acordo com Wilhelm Gesenius, o holem defeituoso é padrão para os imperativos de Qal. Não seria mais provável que anotassem uma variante irregular em “Enoque”, em vez da conjugação habitual de chanak?)

Além do mais, os massoretas escreveram uma nota marginal em Provérbios 22:6, diretamente conectada à palavra hebraica “Enoque/ensinar”. Sua referência marginal, que não está na forma de uma sentença, literalmente diz: “duas vezes”, “começo de”, “verso”, “Matusalém”. Note que esse é o comentário dos massoretas sobre a palavra hebraica hanoch, que em português pode significar “Enoque” ou “ensinar”. Em português, uma interpretação suavizada da nota marginal massorética de Provérbios 22:6 diz: “Em dois casos, a palavra [hanoch] começa um verso. … Matusalém”. O fato de que Matusalém tenha sido escrito como um comentário sobre hanoch abre a possibilidade de hanoch ser interpretado, ou visto, como “Enoque”, em vez de, ou além de, traduzir hanoch como “ensinar”.

O outro caso em que esta palavra “Enoque, ou ensinar” inicia um texto é 1 Crônicas 1:3, que diz: “Enoque, Matusalém, Lameque”. Este Enoque está se referindo ao mesmo Enoque que andou com Deus em Gênesis 5. À luz dessas notas marginais, parece plausível que os massoretas tivessem Enoque em mente quando liam Provérbios 22:6, e possivelmente Matusalém também. Aqui está uma interpretação fundamentada na versão de José Lukowski, a quem devemos toda essa discussão: “[Use o exemplo de] Enoque para uma criança de acordo com o seu caminho [isto é, o caminho de Enoque]; e mesmo quando for velho [como Matusalém] não se desviará dele” (Pv 22:6). Disponível em: . Livremente parafraseada, a interpretação de Lukowski poderia ser traduzida: “Eduquem seus filhos no caminho de Enoque, e eles permanecerão fiéis até serem tão velhos quanto Matusalém”, encorajando os pais a educar os filhos a fim de conhecer e caminhar pessoalmente com Deus como Enoque fez. Como resultado, uma vida de perseverante retidão os conduziria à velhice (ver Êx 20:12), como ocorreu com Matusalém.

APLICAÇÃO PARA A VIDA

Todos nós queremos que nossos filhos andem no caminho de Enoque, não importando se os massoretas o encontraram ou não em Provérbios. O fato de Enoque nunca ter visto a morte serve como uma analogia da esperança que temos de que nossos filhos nunca experimentem a segunda morte, a extinção eterna (Ap 20:14).

1. Como podemos tornar a experiência de “andar com Deus” tão atrativa aos nossos filhos que eles desejem isso para si mesmos, assim como nós, pais, queremos isso para eles?

2. Um orador cristão que havia acabado de concluir um projeto literário agradeceu publicamente à sua família pelo apoio. “Quero agradecer à minha esposa, que amorosamente ajudou. […] e a meus filhos, que amorosamente atrapalharam. Os filhos podem ser tanto uma bênção quanto uma provação (talvez a provação seja a bênção). De que maneira os seus filhos ajudaram a amadurecer e moldar seu caráter?

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